Final Fantasy X: Wakka e o racismo

Final Fantasy sempre tratou de temas centrais nas sociedades modernas, em diversos jogos o racismo é abordado na história e no desenvolvimento de personagens, como no nono e décimo jogo da série. Ao falar de obras orientais abordando o racismo, muitos alegam que isso é um problema ocidental. Porém, independente do racismo com as pessoas negras não serem um tema central no país, o racismo contra ainus (indígenas asiáticos), chineses, coreanos (que em um momento da história foram escravizados pelos japoneses) e entre próprios japoneses de determinadas regiões. E também não podemos negar a influencia da discussão do racismo no ocidente.

Em Final Fantasy X o jogo tem a religião como tema central em sua história, porém o racismo através da religião o preconceito de forma mais direta e focada em seres humanos é um tema abordado.

Nada tem que mudar […] Se tivermos fé nos esinamentos de Yevon isso vai se resolver algum dia.
– Esses malditos macacos com areias.
Isso é ótimo. Eu não posso acreditar que estive viajando com um Al Bhed! 

Wakka pode ser uma referência ao “homem médio” adora esportes, rodeado de amigos, religioso, generoso, não muito inteligente, mas longe de ser burro. Porém ele tem um ódio e falas racistas contra os Al Bhed, seus amigos evitam contar pra ele que Rikku é dessa etnia, assim como Yuna (que é Al Bhed, por parte de mãe) quem ele jurou proteger.  

A partir dessa premissa o jogo brinca com todo carisma de Wakka e sua importância no grupo, com frases racistas onde diversos personagens ficam claramente constrangidos. No vídeo abaixo você pode ver uma compilação desses momentos.


O jogo justifica o racismo do personagem pela perda do irmão, que morreu lutando contra Sin (entidade e vilão do jogo) usando uma arma mecânica feita por Al Bheds. Segundo a religião vigente no mundo, usar essas armas é um pecado, além de fortalecer Sin, que é a representação dos erros e mal causados pela humanidade.  A partir desse momento Wakka se torna extremamente preconceituoso com os Al Bheds.

Em certo momento do jogo ele precisa lidar com a descoberta de Rikku e Yuna serem Al Bheds, como seu preconceito fez todos afastarem a verdade dele. Vendo as angustias e lutando ao lado deles, Wakka consegue enfim entender seu preconceito e sua religião para assim se livrar dele e conseguir a desculpa de Rikku e dos demais da sua etnia.

Os Al Bheds em Final Fantasy X

Wakka entende que a dor da sua perda não pode ser justificada com ódio a outra etnia e que por que sua crença em Yevon o “Deus” desse mundo e seus ensinamentos, não pode ser  seguidos de maneira cega, o que ele descobre não só presenciando diversas atitudes maléficas das pessoas que propagam a religião e suas seitas.

– Eu acho que não sabia nada sobre os Al bhed, não quis escutar nada. Eu fui um grande idiota, por favor, me perdoem.

Mesmo que Wakka tenha sua redenção de maneira já comum  em obra do começo dos anos 2000, através do convívio e que o racismo seja um subplot no enredo do jogo, lidar com esses temas ainda não são comum nos videogames triple AAA e mostra que os jogos podem ser muita mais que diversão, que podem ter mensagens poderosas para ajudar a lidar com problemas tão atuais na sociedade.

Fontes:

Final Fantasy X | HD – Wakka Reaction to Rikku Al Bhed Scene [Remaster]: https://www.youtube.com/watch?v=7ipw9WF2Mu8

https://finalfantasy.fandom.com/wiki/Wakka

https://finalfantasy.fandom.com/wiki/Al_Bhed

https://www.resetera.com/threads/so-wakka-was-kinda-prejudiced-wasnt-he.190587/page-5

https://gamefaqs.gamespot.com/boards/197338-final-fantasy-ix/55856702?page=2

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